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Saturday, July 25, 2009

 

Hitsuzen - Capitulo 76 - Esquecimento

Quando entrou na casa dos seus avós Shizu se perguntou se realmente deveria ter feito aquilo. Queria sair de Suzuko e aceitou na hora a idéia de Akiba Wataru de ir para Tokyo. Pouco antes ele falou que ela deveria ir para a casa da sua familia e se precisasse dele era só ligar que ele a buscaria.

Wataru era primo de seu pai e sempre teve um carinho enorme por Shizu e ela o amava como a um tio. Aceitara ir para lá por ele e também porque queria ver seu tio. Takanori Satoaki era um homem muito ocupado e tendo isso em mente, ela viu que teria que ficar com seus avós maternos.

Quando pequena seu avô, Takanori Ritsuo, só a conheceu porque seu filho foi buscá-la para sair de Suzuko. Sua avó, Iyo, sempre a olhou atravessado, Shizu acredita que ser parecida com a mãe deve trazer lembranças ruins para ela. Os dois sempre se recusaram a saber qualquer coisa sobre o mundo bruxo, inclusive sobre as aulas e o mundo em que sua neta vive.

Sem pensar duas vezes, Shizu se jogou na cama para descansar e dormir. Queria desligar de tudo e lidar com sua familia depois. Não conseguia ficar mais que alguns segundos sem pensar no pai e como seria sua vida agora sem ele. Wataru havia dado dois comprimidos para tomar somente se realmente precisasse e ela não pensou duas vezes em colocar os dois na boca e dormir.

- Shizu? Acordar minha linda. Estamos preocupados com você... - Satoaki estava sentado na beira da cama no quarto dela.

- Tio? Quanto tempo eu dormi? - Ela virava na cama e se espreguiçava.

- Praticamente vinte e quatro horas. Eu vim ontem te ver, mas já estava dormindo e agora que voltei tive que acordá-la. Precisa se alimentar. - Ele fazia carinho na cabeça de sua sobrinha que deitava no seu colo

- Preciso mesmo? Queria dormir e não acordar. Quem sabe assim eu me encontro com todos...

- Não diga uma bobeira dessas! - A voz severa na porta era de Iyo. - Se lave para poder comer algo.

Não tendo muita opção Shizu se levantou para tomar banho e comer. Para sua infelicidade, ao ir para a sala de jantar não viu mais seu tio, somente seus avós. Beijou seu avô, com quem quase não falara no dia anterior.

- Seu tio teve que voltar para o trabalho, vai vir mais tarde. Venha comer. - Ritsuo se esforçou para fazer com que ela se sentisse mais a vontade.

Por mais afastado que fosse da criação da neta, ele olhava para ela e via sua filha refletida e instintivamente a queria bem. Pelo que ouviu de seu filho, ela estava bem triste e a aparência abatida deixava claro que não estava bem.

- Me diga, como está? Descansou bastante de ontem para hoje. - Ele sentou ao lado da neta a observando comer um pouco.

- Melhor... Feliz por não estar em Suzuko ou Amaterasu... Não queria todos me olhando com pena. - Shizu comeu algo mais para satisfazer o avô, não sentia fome.

- Se não está feliz lá, você poderia se mudar para nossa casa. Aqui nós a criaríamos e você teria uma família.

Isso era algo que Ritsuo sempre quis, desde que Shizu era pequena. Kissaburo não permitiu que ele levasse sua neta, mesmo com os argumentos que algo no mundo bruxo tinha matado sua Tori. Aquela era a oportunidade que ele sempre quis e quando soube da morte de genro, preparou tudo para ficar com a neta em Tokyo. Inclusive ligou para o filho para levá-la para a casa dele.

- Sumimasen Ojiisan, mas não entendi. Me mudar para cá?

Shizu quase engasgou. Nunca imaginou ouvir isso de seu avô, que não gostava de saber nada de magia. Atrás dela ouviu o som de algo caindo, sabia que era a reação da sua avó.

- Sim, vir para cá e deixar esse mundo louco de vocês. Saia daquela cidade e venha viver com gente normal. Aqui você vai comerçar tudo de novo, pode trabalhar com seu tio e terá aqui uma família que te ama.

- Arigatou Ojiisan, mas eu quero terminar meus estudos e ser medibruxa. Eu gosto de ser bruxa. Não falo disso com vocês porque sei que não gostam, mas isso é o que eu sou.

Para surpresa de Shizu, seu avô que era um homem calmo deu um tapa na mesa.

- Não! Você é uma criança e não vai ficar mais naquela cidade. E nem pense em ir embora, pois vou entrar na justiça impedindo sua ida. Não vou deixar minha neta voltar para aquele lugar!

Shizu olhava espantada para seu avô. Estava claro o que ele queria, mais claro ainda ver que ela foi para lá com aquele propósito. Tentou se acalmar e lembrar que ele a amava e estava vendo essa verdade deturpada por ele.

- Eu nasci em Suzuko e lá vou ficar. Não pretendo me mudar para Tokyo, nem na parte nashi-atae nem na parte bruxa.

- Você não vai para parte bruxa coisa nenhuma e de lugar nenhum. No tribunal vão ver que sou seu único parente e irão me dar a guarda. Você pode achar que estou errado, mas é o melhor para você. Irá parar com esse negócio de bruxaria.

- Você não pode me manter aqui contra a minha vontade! - Shizu se levantou e encarou seu avô nos olhos. Naquele momento via que precisava impor um limite a ele.

Os dois foram separados por duas mãos firmes que os empurrou, um para cada lado. Iyo em alguns momentos podia implicar com Shizu, mas nunca deixaria que seu marido levantasse a mão para sua neta.

- Shizu, vá para seu quarto. - A voz de usa avó não deixava margem para discussão, não que ela quisesse.

Ao entrar no quarto, Shizu bateu a porta com força. Podia ouvir perfeitamente a discussão que começou na sala e naquele momento estava no quarto. Sentindo uma raiva que não sabia existir dentro de si, ela trocou de roupa rapidamente, pegou o telefone, sua carteira e saiu do quarto silenciosamente.

Na sala Shizu pegou duas garrafas pequenas de whisky e saiu sem que seus avós, que estavam no quarto discutindo, ouvissem. Ainda na escada do prédio abriu as duas garrafinhas e as bebeu rapidamente. Naquela noite iria esquecer de tudo e todos, iria se divertir ao máximo.

***

Shizu acordou sentindo um gosto de cabo de guarda-chuva na boca, sabia que exagerara na bebida. As marteladas na cabeça a fazia pensar a mesma coisa, estava com ressaca. Não que soubesse por experiência, mas era algo que ouvira falar e fácil de identificar.

“Meu avos devem estar querendo me matar, nem sei como voltei para casa...”

Ainda com o pensamento lento Shizu se enrolou no lençol, enfiando o rosto no travesseiro. A luz que entrava no quarto a encomodava e seus olhos pediam a escuridão.

“Mais simples eu fechar a cortina e voltar para a cama.”

Sentou na cama lentamente e ignorou a dor que sentiu no cóccix. Quando se levantou foi que viu que não estava no seu quarto, nem casa dos seus avos. Nervosa Shizu se olhou e viu que vestia uma blusa de alguém, alguem bem maior que ela.

Sentindo o mundo rodar, ela sentou na cama, tonta. Shizu tentou lembrar o que havia acontecido na noite anterior, precisava descobrir onde estava e o que tinha acontecido.

- Que bom que acordou. - O dono da casa entrou no quarto fazendo Shizu suspirar em alívio. - Como está a cabeça?

- Doendo tio... Dói mais quando tento pensar e respirar. O que eu fiz?

- Eu é que pergunto. Nada do que você tentou falar fez sentido.

Satoaki não era um homem velho, estava na casa dos quarenta e poucos. Ao contrário do seu pai, sempre visitou Shizu em Susuko e não se importava se ela era bruxa ou não. Era filha de sua irmã, era sua sobrinha e só isso importava. Ele a amava como a filha que nunca teve.

- Onde... Como me achou? - Shizu sentou na cama e aceitou de bom grado o café que seu tio oferecia.

- Quando fui te visitar ontem a noite meu pai falou que você tinha fugido e levado duas garrafas de bebida. Fiquei muito preocupado. Você não conhece, quero dizer, conhecia a noite de Tokyo.

- Perdão pela preocupação que causei.

- Eu que peço desculpas por te deixar ouvir o que meu pai falou quando o que você precisava era de carinho e não de gritos e ordens. - Satoaki levou sua mão até o rosto de sua sobrinha, fazendo um carinho. - Eu devia ter te trazido para cá e ficado com você o tempo todo.

- Como eu vim para cá? Não sei onde fica seu novo apartamento. - Shizu pegou seu travesseiro e se aninhou no colo do seu tio. Não se lembrava de nada, estava cansada. Não só fisicamente, mas emocionalmente também.

- Você teve algum momento de lucidez e me ligou. - Nesse momento ele fechou os olhos agradecendo por ela estar ali.

Satoaki nunca imaginou que iria passar a madrugada olhando para o telefone esperando sua sobrinha ligar. Sentiu os olhos arderem e seu coração se apertou ao lembrar que a pegou bêbada, sentada em um ponto de onibus, esperando por ele. Shizu nem conseguia andar até o carro, ele a carregou o tempo todo.

Ele ficou sentado no chão do banheiro segurando a cabeça de Shizu enquanto ela vomitava. Ela chorava o tempo todo. Uma das frase que conseguiu ouvir e entender e que ela repetia era que não aguentava mais. Ele nunca achou que sua sobrinha estivesse sofrendo tanto e há tanto tempo.

“Está tudo bem agora minha linda. Estou aqui com você.”, ele tentou acalmá-la em vão. Ela respondeu chorando “Você vai embora como todos sempre vão. Vai me deixar sozinha.”

- Tio? Está chorando? - Shizu sentou e tirou seu tio da lembrança da noite anterior.

- Foi que eu lembrei de algo que você precisa ver. - Ele se levantou e a fez se levantar e andar até a o grande espelho que tinha no quarto. - Você estava reclamando de uma dor nas costas e quando fui ver o que era fiquei surpreso. Vou fechar os olhos e você olha.

Sem entender porque seu tio estava fechado os olhos, Shizu levantou sua camisa e virou de costas para o espelho. Ainda sentia uma dor estranha, mas não estava vendo nada demais.

- Não tem nada de diferente. Fala o que te deixou surpreso.

- Olhe onde o seu biquini cobre. - Satoaki falou sem abrir os olhos.

Shizu quase caiu para trás quando viu o que tinha ali. A pele estava vermelha pela tatuagem recem feita. O vermelho da área não era só pela irritação, mas também o desenho. Ela tatuara uma pequena pimenta do reino no cóccix.

Na noite anterior ela tinha saído e bebido e até aquele momento não se lembrava de nada, mas ao ver a tatuagem que tinha feito, tudo voltou a sua mente.

***

Shizu desceu as escadas do prédio dos seus avós correndo, queria sair de perto deles. Sabia o que queria fazer, queria sair para dançar. Queria descarregar suas frustações em alguma pista onde tocasse música muito alto, mais alto que as vozes que estavam na sua cabeça.

Parada em frente ao edifício, ela olhou para a rua e ficou sem saber para onde ir. Sabia que no lado nashi-atae ela era menor de idade e não iria conseguir fazer nada. Se lembrou da vez que fora para Tokyo no ano anterior e onde ficava alguns comércios bruxos.

“Não... Nada que me lembre Kou. Quero ficar só hoje, sem lembranças.”

Atravessou a rua e foi para um shopping que tinha ali perto. Iria se arrumar o suficiente para não duvidarem de sua idade, afinal uma calça larga e um blusão não iam ajudar. Não precisou mais que 15 minutos para mudar o estilo que estava. Colocou uma calça de preta apertada e baixa com uma bota preta, a blusa era curta, solta na frente e aberta nas costas. Com um lápis preto e um batom vermelho seu rosto mudou também.

Começou a andar pela rua, pensando o que fazer. A noite de Tokyo era famosa, mas precisava saber onde entrar senão seria levada de volta para a casa dos avos e era a última coisa que queria.

Andando a esmo, muitos a cantava e chamavam para sair. Ao contrário do que normalmente faria, Shizu aceitava o elogio e andava mais segura. Não sabia se a bebida estava fazendo efeito ou se era dela mesmo, mas não se importava com o que falavam quando passava, se a chamavam de gostosa ou de vagabunda.

Em um carrinho na rua comprou uma cerveja enquanto pensava para onde ir, não tinha a mínima idéia de onde estava, pois andara bastante. Seus olhos brilharam ao ver algo que poderia fazer a diferença, uma casa de tatuagem que estava na sua frente. Achou que valia a pena tentar e entrou.

- Você não tem mais que 20 anos. - A garota que estava no balcão falou ao vê-la entrar.

- Tenho quase, mas sou emancipada. Acontece quando não se tem mais pais. - Ela parou e encarou a outra esperando para ver se a expulsaria dali.

- Certo então, pode vir. Pagamento adiantado. - A japonesa loira que estava no balcão era também quem fazia a tatuagem. - E não espere recibo, pois não vou me encrencar.

Pouco tempo depois e alguns gemidos de dor, Shizu estava com um curativo cobrindo o desenho que fizera no corpo. Escolhera uma pimenta e decidiu colocar em um lugar onde acreditava que ninguém nunca mais iria ver. Ela sorria ao ver o resultado. Era um presente dela para ela mesma.

- Parece que você precisa se soltar. - A garota que agora guardava o material falou. - Eu já estava fechando quando você entrou, vou para um bar aqui perto. Conheço o dono e se eu pedir não vai te deixar do lado de fora.

- Por que você faria isso? O que vai ganhar? - Shizu não achou que seria assim tão fácil.

- Você vai me pagar a bebida, claro. A sua e a minha. A propósito, me chamo Misuki.

- Shizu. E aceito sua oferta.

Ela esperou Misuki fechar sua loja e foi até o local que falara. Era na verdade uma mistura de bar e boate e, como a outra falara, entrou sem o menor problema.

- Shizu certo? O que traz uma garota como você para um canto feio desse da cidade? - A loira sentou no bar indicando o banco para que a morena sentasse.

- Liberdade. - Shizu virou para o barman. - Uma dose de tequila para mim e o que ela quiser também.

O barman trouxe a tequila e uma cerveja para Misuki, que olhava para a morena a sua frente se divertindo.

- Não sou uma princesa, então pare de me olhar. - Shizu bebeu em um gole só a bebida e pediu em seguida outra dose. - Você tem sua cerveja, então não me amole.

- Deixa a garota em paz Misuki, é uma menina ainda. - O rapaz do balcão falou.

- Deixa de ser chato Mitsu, só queria brincar com a filhinha de papai aqui que está sofrendo porque o mundo é cruel.

Ao ouvir aquilo Shizu olhou atravessado para a loira que sentiu como se algo a atingisse. Sentiu uma vontade de sair de perto da morena o mais rápido possível. Misuki não soube de onde veio aquilo e suspeitava menos ainda que foi o inconsciente de Shizu que o fez.

- Ignore ela, estava só implicando. Sou Mitsu e você é?

- Me diga por que falaria meu nome?

- Porque só está aqui dentro porque eu deixei entrar.

- Não seja por isso. - Shizu tentou se levantar rápido, mas acabou se apoiando no balcão. As duas doses seguidas foram fortes demais para uma pessoa que não tinha nem o hábito de tomar saquê.

- Calma garota, assim você vai acabar se machucando. - O rapaz foi para o lado dela a ajudar a se levantar e a sentou novamente no banco. - Alguém como você saindo para tomar um porre na rua sozinha não é nada bom, ainda mais vestida assim.

- A vida é triste não é. - Shizu viu tudo rodando, mas mesmo assim não conseguia deixar de ser grossa com o homem que tentava ajudá-la. - Está bem, vou ficar quieta aqui esperando conseguir me levantar e vou sair.

Mitsu deu um copo d’água para ela beber. O dono do local não conseguiu deixar de olhar para a Shizu desde que ela entrou no local. Somente a deixou entrar porque queria conhecê-la e não porque a encrenqueira de sua amiga a trouxe.

- Não precisa sair correndo, não vou chamar a polícia.

- Não faria diferença, não tenho um responsável direto. Eu sou maior de idade. - A tontura estava diminuindo, apesar da visão não estar muito boa. Shizu se sentia mais solta e a música que tocava alto estava entrando nos seus ouvidos e corpo.

- Não precisa mentir, sei que não tem mais de 20 anos. - Mitsu não conseguia desviar os olhos da garota a sua frente.

- E quem disse que precisa ter mais de 20 anos para ser maior de idade. - Shizu não resistiu ao comentário e sorriu marotamente.

Ela se levantou pensando se iria embora ou iria dançar. Seus sentidos estavam falhos, não reparou que o homem a sua frente a olhava de modo diferente. Mitsu não podia deixá-la ir embora, não sabia nem seu nome.

- Vamos dançar. - Ele pegou a mão de Shizu e a levou para a pista.

Era exatamente o que ela precisava, fechou os olhos e sentiu a música entrar. Seu corpo movimentava conforme a melodia e conforme as mãos de Mitsu que dançava com ela. Ele olhava fascinado para a garota a sua frente que parecia consumir o som.

- Me diga seu nome. - Ele se aproximou peguntando baixo no ouvido de Shizu.

- Shizu. - Ela abriu os olhos e viu que ele estava perto, muito perto.

A resposta do nome e o olhar direto era o que ele precisava para puxar aquela garota a sua frente e beijá-la. Mitsu sentiu que ela não só aceitava, como o beijava em retorno com a mesma vontade. Volta e meia um garçom passava e Shizu pegava o que estava ali, não se importando o que misturava.

Mais tarde Shizu foi até o balcão pegar uma bebida e sentiu uma mão se fechar na sua cintura, a puxando.

- Não bebe, fica comigo. - Ele a beijou enquanto colava seu corpo no dela.

Mitsu não estava resistindo a Shizu, parecia que ela exalava algo que o deixava querendo mais. Esquecendo a razão, ele desceu uma mão da cintura, pela lateral da perna dela e a outra passou levemente pela barriga.

Aquele toque na sua pele a acordou. Shizu o empurrou com força, afastando-se do rapaz que não conhecia e que a queria. Sem saber como agir ou para onde ir, ela correu passando pelas pessoas que estavam lá, procurando a saída.

Correu pela rua sem olhar para trás. Não viu um homem que ficou parado na calçada procurando a garota com quem estava. Correu até sentir suas pernas cansarem e seu estômago embrulhar. Sentou em banco e chorou.

Shizu segurou a cabeça com as mãos, chorava. Não conseguia segurar as lágrimas que teimavam em sair ali, no meio da rua. Tentou se levantar e corpo perdeu equilibrio, estava bêbada demais. Quando caiu sentada no banco e sentiu seu telefone no bolso. Ligou para o seu tio pedindo ajuda, não agüentava mais.

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